sábado, 9 de abril de 2011

A insanidade do meu jardim

O desejo incessante de não mais desejar me consome.O desejo de não errar,de não cometer falhas e atingir o inatingível me levaram à tais insanidades que agora são preciosamente controladas por sublimes poções lícitas que me garantem bem estar e sanidade mental. Sanidade mental...Como definir sanidade mental?Não sei a definição e nem tenho a  pretensão de saber. Julgaram-me insana por não acreditar naquilo que não posso ver,naquilo que não posso ouvir,e por fim,naquilo que já nem posso mais sentir.

  "Não é suficiente ver que o jardim é belo sem ter que acreditar que há fadas morando nele também?"

Juro que tentei enxergar as fadas,tentei mesmo.Só consegui ver a beleza do jardim,e como é belo esse jardim,como é ‘’livre’’ esse jardim. Tendo a ‘’liberdade’’,pude encontrar um pouco de felicidade. Tivi (e tenho) meus receios,meus medos e inseguranças,mas venho melhorando de forma inacreditável...Inacreditável até mesmo para mim. Não negarei se um dia meus olhos voltarem a ver as fadas do jardim,não negarei mesmo.Mas enquanto isso não acontece,viverei com a imagem do jardim...Apenas com a imagem da beleza do jardim.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Vazio

I
Um labirinto conturbado, um mundo aos pedaços, um caos interminável propícios à lágrimas. Às vezes, de tantas certezas, começo a criar duvidas. O encanto acaba e a dor é inevitável, o colo daquele ‘’eterno’’ quebrou, e se fez em mil pedaços jogados ao vento. Tudo que resta são memórias, memórias de quando tudo já foi bom. Um espaço órfão a procura de afeto, de cuidado e de proteção. Um espaço machucado, mutilado e sozinho. Um espaço completamente sozinho.

II
Tempestade incessante, pingos incansáveis de angústia e desolamento. Levemente inconstante,e às vezes, num impulso, tentando sair para lugar algum. Vendo o mundo de um ângulo inexistente,imaginando coisas inimagináveis à procura de lucidez. Preza no passado,temendo o presente e ansiosa pelo futuro. Preza em mundos diferentes,oscilando entre a inocência e o pecado. Um pecado que em dias tempestuosos,proporciona um certo refúgio. Oscilando entre o tudo e o nada,e o ‘’nada’’,se encontra reconfortante.

Notas Do Subsolo

"Tenho, por exemplo, um terrível amor-próprio. Sou desconfiado e me ofendo com facilidade, como um corcunda ou um anão, mas,realmente, tive momentos tais que, se me acontecesse receber um bofetão, talvez até me alegrasse com o fato. Falo sério: com certeza, eu saberia encontrar também nisso uma espécie de prazer - naturalmente o prazer do desespero, mas é justamente no desespero que ocorrem os prazeres mais ardentes, sobretudo quando já se tem uma consciência muito forte do inevitável da própria condição.

E, no caso do bofetão... sim, fica-se comprimido pela consciência do mingau a que nos reduziram. E o principal, por mais que se rumine o caso, está em que eu sou o primeiro culpado de tudo e, o que é mais
ofensivo, culpado sem culpa e, por assim dizer, segundo as leis da  natureza. Pois, em primeiro lugar, tenho culpa de ser mais inteligente  que todos à minha volta. (Considerei-me, continuamente, mais inteligente
que todos à minha volta, e às vezes - acreditam? - tinha até vergonha disso. Pelo menos, a vida toda olhei de certo modo para o lado e nunca pude fitar as pessoas nos olhos.)

Finalmente, sou culpado porque, mesmo que houvesse em mim generosidade, eu teria com isso apenas mais sofrimento devido à consciência de toda a sua inutilidade. Certamente eu não saberia fazer nada com a minha generosidade: nem perdoar, pois o ofensor talvez me tivesse batido segundo as leis da natureza, e não se pode perdoar as leis da natureza nem esquecer, pois, ainda que se trate de leis da natureza, sempre é ofensivo.

Finalmente,mesmo que eu renunciasse a ser generoso e,ao contrário,quisesse vingar-me do ofensor,de nada poderia vingar-me de ninguém,pois,certamente,não ousaria a fazer algo,mesmo  que pudesse''.

Dostoiévski

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Passeios ao Vento


Há dias em que o caos ensandecido toma conta do meu ser, fazendo-me lembrar coisas das quais seriam melhor esquecer. Aquelas pinturas, melodias e todas as memórias nostálgicas me tomam como o vento, me faz percorrer lugares inimagináveis em busca de qualquer coisa que seja melhor do que aquela que eu já vi. Aquelas crenças foram quebradas e levadas ao vento como tantas outras peças de mim mesma que joguei pela janela diante daquela ventania que eu via lá fora. Só nós podíamos interpretar com nitidez o que a pintura mostrava, só nós éramos capazes de ouvir o que a melodia nos contava. Tapei os olhos para a pintura e os ouvidos para melodia,por um momento acabou-se meus sentidos,e deixei o vento me guiar.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Apenas ponteiros


- Mas porque essa menina chora tanto? Alguém com uma vida como à dela, não tem tais motivos para chorar.

A pobre menina volta a chorar diante dos ponteiros que insistem em permanecer no mesmo lugar. Compreensão agora me parece invenção inútil da humanidade para amenizar carências e dores que infantilmente todos dizem que o tempo vai curar. É simplório o modo como eles a olham,é desumano o caos que ela carrega internamente. Certas cicatrizes não se fecham,amenizam,mas não fecham. Um belo e ensandecido conforto ela encontra em uma fotografia,uma fotografia tirada ao acaso,encontrada ao acaso e que à faz sorrir agora. A vulnerabilidade de seu sorriso agora é ainda mais nítido,as vezes,a tal fotografia à faz chorar. Ela está em constante misantropia,mas às vezes,ela gosta disso.A delonga dos ponteiros à fere repetidamente dia após dia,porque eles insistem em tortura-lá tanto?
E então,em um momento completamente desolado,a menina ouve: são apenas ponteiros bobinha,são apenas ponteiros.
E toda aquela dor diante do relógio se manifestou em forma de lágrimas,uma enorme seqüência de lágrimas. Lágrimas de dor,e de paz. Por um instante,a menina acreditou que ainda podia existir compreensão no pequeno mundo dela. Sim,por um minuto ela acreditou.

domingo, 7 de novembro de 2010

Doces Devaneios

Permita-me dizer que essas noites foram boas e que os dias foram tristes, o sol que queimou minha pele estava frio e a noite encontrava-se tão quente. Palavras ao vento, palavras sujas, palavras incompreendidas, palavras de revolta e de insanidade. Sim, de insanidade. .
Entender é uma palavra que não entendo, porque entender? Já não quero mais entender tudo àquilo que já quis, quero apenas viver aquilo que ainda não fiz. Quero me jogar e não ter medo se vou quebrar, aqueles medos estúpidos e infantis já não me assombram mais. Essa anarquia mental agora me faz feliz, esboço sorrisos diante das catástrofes do mundo, não tenho mais motivos para tal sanidade. Fique aqui, não se vá, não se mova. Fique até que esse palácio seja destruído e essa barreira ultrapassada, vamos nos perder nessas palavras belas e sujas que ambos querem pronunciá-las. Vamos partir em rumo de algo que ainda não está definido, vamos deixar para trás essa melancolia do mundo exaustivo que estamos habitados a seguir. Minha sombra e minha gota de lucidez são as únicas coisas que estão comigo hoje, às vezes desejo que algo me encontre, algo além do que possa existir, enquanto isso, eu ando só.   

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Uma graciosa escuridão

Diga palavras doces e me conforte com beijos. Feche a janela, ambos preferimos o escuro. Depois se deite, e antes de entrar em sono profundo jure que terá um pequeno sonho comigo, como naquela música que tu gostumava cantar. Acorde, abra a janela e veja como a noite se encontra sublime. Nunca existe dia para nós, o sol dorme em um silencioso e eterno sono do qual nunca o despertaremos. Tu ri quando me vê monologar perto daquela cabeceira antiga e empoeirada,porém, tu muda suas feições quando olha por aquela pequena janela ,e vê a intensidade da chuva que cai lá fora. Gosto do teu jeito lacônico e sei que minha eloqüência o deixa em estado emocionável. Oramos juntos para o sol não despertar, aquele medo nos sufoca e começamos a queimar. Com o passar das horas ouvimos o relógio soar ao meio-dia e as chamas parecem não se acalmar,como se as velas da cabeceira antiga e empoeirada caíssem sobre o chão e subissem até as cortinas e se espalhassem pelas paredes e  por fim, chegassem até os lençóis.E então precisamos ir embora. Precisamos sair e enfrentar o sol. Nos perdemos em olhares  e não percebemos que depois daquela forte chuva de verão,o sol acordaria. Pensamos infantilmente que ele não despertaria aquele dia,porém,ele despertou. E então aquela noite se acabou.