quinta-feira, 23 de junho de 2011

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Estranhamente vejo mudar o doce sabor da felicidade, estranhamente vejo o tempo oscilar. Torturo-me até o ultimo minuto por não alcançar das tuas tantas expectativas, e lhe proporcionar apenas dor e sofrimento. Eu olho para o passado e relembro os planos que juntas fazíamos. E os sonhos que construímos com tanto afeto e que agora são despertados pela chama da realidade. Oh,que dor possui essa presente realidade,que me consome até os últimos resquícios de fios de cabelos que ainda me restam.Torturo-me diante da cruz,apedrejando-te e apedrejando-me por pecados dos quais nem acredito. Tu vês minha dor, tu compartilhas dela e retorna ao passado para aliviar-te do fardo fatídico cotidiano. Cruelmente desconto em meu ser aquilo que eu não gostaria de ser. As marcas/feridas te ferem. E me ferem com a calmaria. Um tanto oblíqua, manipulo-te a fins de te ver rutilante outra vez. É sublime a preciosidade com que tu me tratas, é doloroso ver em tua face  lágrimas de tanto amor.Meu corpo encontrará a paz outra vez,e minha alma lhe dará sua paz também. Peço-te a ti a mais encantadora paciência, peço-te a ti que não desista ainda, peço-te a ti que multiplique esse amor e essa força,para que em algum lugar eu possa encontrá-la também. Agradeço-te por cada instante de afeto incondicional, e saibas que é totalmente recíproco. E um dia, acredito confiantemente, que sou eu quem lhe proporcionará abrigo, o mais encantador e resplandecente abrigo.Juro por ti, juro por tudo aquilo que por desolamentos do passado,deixei de crer.Ainda encontraremos um lindo jardim juntas.Sim,nós encontraremos.  






Último Brinde

Bebo ao lar em pedaços,
À minha vida feroz, 
À solidão dos abraços 
E a ti, num brinde, ergo a voz...
Ao lábio que me traiu, 
Aos mortos que nada vêem, 
Ao mundo, estúpido e vil, 
A Deus, por não salvar ninguém.


Ana Akhmátova




Ofélia,John Everett Millais

Carroça Vazia

Certa manha, meu pai, muito sábio, convidou-me a dar
um passeio no bosque e eu aceitei com prazer.
Ele se deteve numa clareira e depois de
um pequeno silencio me perguntou:
- Alem do cantar dos pássaros,
você esta ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
- Estou ouvindo um barulho de carroça.
- Isso mesmo, disse meu pai, e uma carroça vazia .
Perguntei ao meu pai:
- Como pode saber que a carroça esta vazia,
se ainda não a vimos?
Ora, respondeu meu pai. É muito fácil saber que uma
carroça está vazia; por causa do barulho.
Quanto mais vazia a carroça maior e o barulho que faz.
Tornei-me adulto, e ate hoje, quando vejo uma pessoa
falando demais, gritando (no sentido de intimidar),
tratando o próximo com groceria inoportuna,
prepotente, interrompendo a conversa de todo mundo e,
querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade
absoluta, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai
dizendo: "Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz..."

segunda-feira, 23 de maio de 2011

She was a phantom of delight

She was a phantom of delight
When first she gleamed upon my sight;
A lovely Apparition, sent
To be a moment's ornament;
Her eyes as stars of Twilight fair;
Like Twilight's, too, her dusky hair;
But all things else about her drawn
From May-time and the cheerful Dawn;
A dancing Shape, an Image gay,
To haunt, to startle, and way-lay.

I saw her upon a nearer view,
A Spirit, yet a Woman too!
Her household motions light and free,
And steps of virgin liberty;
A countenance in which did meet
Sweet records, promises as sweet;
A Creature not too bright or good
For human nature's daily food;
For transient sorrows, simple wiles,
Praise, blame, love, kisses, tears and smiles.

And now I see with eye serene
The very pulse of the machine;
A Being breathing thoughtful breath,
A Traveler between life and death;
The reason firm, the temperate will,
Endurance, foresight, strength, and skill;
A perfect Woman, nobly planned,
To warm, to comfort, and command;
And yet a Spirit still, and bright,
With something of angelic light. 

William Wordsworth

domingo, 22 de maio de 2011

Mais silencioso do que dormir

Mais obscuro do que a noite,
Mais intenso do que um trovão
Lágrimas e pingos de uma doce paixão.
Um olhar enigmático, um ardor lunático
A pele translúcida,de uma alma com grande ternura
Um desejo utópico,de um amor misantrópico.
Todos os pedaços,se juntaram ao acaso,
O fim chegou, e a tristeza no caixão se acabou.
Mais silencioso do que dormir,o fim não é apenas o deixar de existir
 Tão encantador como a aurora,um beijo por fim nos devora.
A maldade que no júbilo transcende,vai ao leito de um desejo inocente
O nada em fim voltou,como a dor que um dia me deixou.


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Das tantas palavras ocultas

Todos os finais possíveis diluíram ao longo da história, o ato de ilibação se tornou tão limitado que impede o sonho a dançar com a realidade.  Um grito silencioso percorre pelas ruas em forma de chuva, percorrendo cada canto da cidade em busca de um lugar onde a melodia seja mais alta,ou pelo menos,onde haja o mínimo sequer de uma doce melodia. Lugares obscuros, uma orquestra de desastres e melancolia, talvez um tanto atraente, miscigenando sentimentos perdidos daquele subúrbio. O violino se encontrava quebrado, assim como o violinista desolado e a pobre bailarina aos pedaços. De caos em caos formou-se o júbilo físico e sonoro, onde todas as peças pareciam se encaixar, onde a poesia tornou-se rutilante (apesar de fatídica) e liberou lascivos gestos de prazer. O prazer tendencioso e o júbilo transcendente acompanharam o ritmo da escuridão e aprenderam a domá-la de tal forma que, agora, parecia clarear. E por fim, dormir eternamente.  

domingo, 1 de maio de 2011

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''Imaginei por um momento um mundo sem Henry. E jurei que no dia que perder Henry, eu matarei minha vulnerabilidade, minha capacidade para o verdadeiro amor, meus sentimentos, com a devassidão mais frenética. Depois de Henry não quero mais amor. {…} Depois de não ver Henry por cinco dias por causa de mil obrigações, não pude suportar. Pedi a ele para se encontrar comigo durante uma hora entre dois compromissos. Conversamos por um momento, então fomos para um quarto do hotel mais próximo. Que necessidade profunda dele. Só quando estou em seus braços as coisas parecem direitas. Depois de uma hora com ele, pude continuar o meu dia, fazendo coisas que não quero fazer, vendo pessoas que não me interessam.''

Anaïs Nin